Teste de resistência: Flávio Bolsonaro corre para não perder terreno no Rio
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A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro dá sinais de desgaste e centralização autoritária. Ao impor Daniella Marques, quadro do liberalismo econômico de Paulo Guedes sem votos, como vice, o senador concentra as decisões em um núcleo restrito e ignora dirigentes históricos do PL. No Rio, o projeto bolsonarista desmorona sob o peso de inelegibilidades, prisões e investigações que expõem as práticas do grupo. O avanço de Eduardo Paes, aliado de Lula, sinaliza que o eleitorado fluminense pode se descolar da extrema-direita.
Flávio Bolsonaro trabalha para reorganizar o palanque no Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral do país e reduto histórico do bolsonarismo, diante de uma sucessão de reveses judiciais e eleitorais.
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Veículos com viés ao centro
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As duas coberturas concordam que a pré-campanha de Flávio Bolsonaro enfrenta resistência interna e atrasos: a escolha da vice divide o PL e o Republicanos, e o plano bolsonarista no Rio precisou ser refeito às pressas antes da convenção de 25 de julho.
A pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) atravessa um momento de turbulência que combina atritos na cúpula partidária nacional e o desmonte do plano bolsonarista no Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral do país e reduto histórico do grupo. Às vésperas da convenção nacional do PL, marcada para 25 de julho em São Paulo, o senador tenta recompor uma chapa que, meses atrás, parecia inteiramente costurada.
No plano nacional, o principal foco de tensão é a vice. Flávio quer emplacar a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, ex-integrante da equipe econômica de Paulo Guedes, como candidata a vice-presidente. Ela protagonizou a elaboração do programa de governo e dividiu o palco no lançamento do plano voltado ao eleitorado feminino, em 16 de julho. A cobertura de esquerda destacou que a escolha, feita por um núcleo restrito em torno do coordenador Rogério Marinho, marginaliza dirigentes históricos do partido, como o presidente nacional Valdemar Costa Neto, e revela um traço personalista e centralizador da candidatura, além de apostar em um nome sem votos e ligado à agenda liberal.
A leitura de centro relatou, de forma factual, que a resistência a Daniella existe tanto no PL quanto no Republicanos, sigla à qual ela é filiada: dirigentes avaliam que ela nunca disputou eleições, não amplia o arco de alianças e não representaria uma concessão real ao Republicanos, partido que acena com a neutralidade na disputa presidencial. Veículos de direita, por sua vez, enfatizaram as credenciais técnicas e liberais de Marques, sua experiência de gestão e a estratégia de aproximar a candidatura do eleitorado feminino e da pauta de produtividade.
No Rio, o quadro é de recálculo de rota em cima do laço. O plano original previa o governador Cláudio Castro deixando a cadeira para o deputado Douglas Ruas, que chegaria à presidência da Alerj e, por uma sequência inédita, ao Palácio Guanabara. Os nomes para o Senado também estavam acertados. Nada saiu como esperado: Castro ficou inelegível por decisão do TSE e saiu do páreo após se enredar em operações policiais; Márcio Canella, do União Brasil, foi preso em flagrante com um fuzil no carro e circula com tornozeleira; e Ruas, embora tenha assumido a Alerj, patina nas pesquisas, com cerca de 15% contra mais de 50% do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), aliado de Lula.
Diante do vácuo, Flávio antecipou-se à convenção e escalou o senador Carlos Portinho, de discurso mais moderado, e o vereador Leniel Borel, pai do menino Henry Borel, para vagas em aberto. A cobertura de esquerda ressaltou o uso eleitoral de bandeiras sociais e a atuação de Ruas para expulsar parlamentares de esquerda de comissões de minorias e direitos humanos na Alerj. Veículos de direita enfatizaram a aposta na linha dura em segurança pública como diferencial e a tentativa de furar a bolha do bolsonarismo radical.
O que ainda não se sabe é quem de fato ocupará a vice na chapa presidencial, como o STF resolverá o imbróglio que fez do desembargador Ricardo Couto governador interino, e se Republicanos, PP e outras siglas do Centrão fluminense fecharão com Flávio ou migrarão para o campo de Paes. O desfecho dessas articulações, a poucos dias da convenção, definirá a força do palanque bolsonarista no estado.
A sigla e até o Republicanos, partido de Daniella Marques, resistem à indicação e criticam o senador por concentrar as decisões da pré-campanha em um núcleo restrito

Nada saiu até agora como o planejado para o bolsonarismo em seu berço político
