O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, deixou de registrar voto em 43% das votações nominais do Senado em 2026, segundo levantamento da Folha de S.Paulo. O índice é mais que o dobro da média dos 81 senadores, que ficou em 20%. O dado o coloca entre os parlamentares mais ausentes nesse tipo de deliberação, em meio à intensificação de sua agenda de pré-campanha.
O estudo analisou 49 matérias submetidas a votação nominal entre 24 de fevereiro e 16 de junho, distribuídas em 14 sessões. Nas votações nominais, cada senador precisa registrar individualmente sua posição, o que permite identificar quem votou, quem estava presente e não votou e quem faltou. Votações simbólicas foram excluídas, assim como ausências oficialmente justificadas por saúde, missões oficiais, licença-paternidade ou atividade política autorizada. Mesmo com esse filtro, Flávio não registrou voto em 21 das 49 deliberações.
O levantamento mostra que ele dividiu a quinta posição do ranking, empatado com Cleitinho (Republicanos-MG), Eduardo Gomes (PL-TO), Professora Dorinha Seabra (União Brasil-TO) e Wellington Fagundes (PL-MT), todos com 43%. O topo da lista é de Romário (PL-RJ), com 53%, que acompanha a Copa do Mundo nos Estados Unidos como comentarista, seguido por Wilder Moraes (PL-GO), com 49%, e por Angelo Coronel e Oriovisto Guimarães, ambos com 47%. Renan Calheiros (MDB-AL) fecha o grupo dos dez mais ausentes.
Veículos de centro relataram os números de forma factual, detalhando a metodologia e reproduzindo as justificativas das assessorias de vários parlamentares, que atribuíram as faltas a agendas institucionais, compromissos nos estados e atendimentos a prefeitos e vereadores. Esses veículos também registraram que parte das ausências de Flávio ocorreu em indicações de autoridades, como a do novo presidente da Comissão de Valores Mobiliários, Otto Lobo, e embaixadores, e na votação que isentou entidades filantrópicas de tributos federais.
Veículos de esquerda enfatizaram o contraste entre a ambição eleitoral e o dever de mandato, destacando que a maioria dos senadores mais ausentes pertence ao PL, partido que se opõe à PEC que acaba com a escala 6x1 dos trabalhadores, travada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Esses veículos ressaltaram que Flávio esteve fisicamente presente em diversas sessões e, ainda assim, não registrou voto, o que, segundo essa cobertura, enfraquece a defesa da assessoria.
Veículos de direita deram peso à reação do senador. A equipe de Flávio afirmou que a reportagem distorce o funcionamento da atividade parlamentar e induz o leitor ao erro, sustentando que deixar de registrar voto em uma matéria não significa inatividade. A nota diz que ele teve apenas uma falta em 2025 e três em 2026, uma delas durante viagem aos Estados Unidos para tratar da classificação das facções Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas. A assessoria também citou os prêmios de Excelência Parlamentar recebidos em 2023, 2024 e 2025.
Desde dezembro, quando Jair Bolsonaro o escolheu como pré-candidato do PL, Flávio ampliou as viagens aos Estados Unidos, percorreu o país em atos com apoiadores e trabalha na definição de palanques regionais, com planos de visitar a Argentina para se reunir com o presidente Javier Milei.
O que ainda não se sabe é como a metodologia da Folha trata caso a caso cada ausência de Flávio em sessões nas quais ele estava presente, nem qual o efeito concreto desse índice sobre a percepção do eleitorado a quase quatro meses do início oficial da campanha. Também não há resposta detalhada do senador sobre as votações específicas em que esteve no plenário e não registrou posição.