Executivos do topo da Faria Lima, o centro financeiro de São Paulo, passaram a tratar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como favorito para vencer a eleição de outubro de 2026. A mudança de leitura foi relatada pela coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, e atribuída à combinação de pesquisas eleitorais recentes com o desgaste do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nome do bolsonarismo para a disputa presidencial.
Veículos de esquerda destacaram o simbolismo do movimento: mesmo a elite financeira, historicamente resistente ao PT, passou a buscar informações sobre como seria um quarto mandato de Lula, ainda que, segundo a coluna, esteja 'muito contrariada'. Para essa cobertura, o reconhecimento do favoritismo no coração do mercado valida o desempenho do governo nas pesquisas e expõe a fragilidade do campo adversário.
A cobertura de centro relatou os fatos com ressalvas. A própria coluna registra que 'falta muito chão ainda' e que a campanha pode ter viradas. A reportagem factual detalhou ainda o flanco jurídico que pesa sobre Flávio Bolsonaro: a Polícia Federal concluiu que o senador cometeu o crime de calúnia ao associar, em postagem de 3 de janeiro de 2026, a imagem de Lula à do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. O relatório foi enviado ao Supremo Tribunal Federal, e o ministro Alexandre de Moraes deve encaminhá-lo à Procuradoria-Geral da República, que pode pedir arquivamento, novas diligências ou apresentar denúncia. A reportagem frisou que Flávio ainda não é réu: isso só ocorreria após eventual denúncia aceita pela Corte, quando teria direito a defesa e contraditório.
Veículos de direita enfatizariam outra leitura dos mesmos elementos: a avaliação de favoritismo nasce de uma coluna de opinião, não de um resultado eleitoral; os executivos seguem resistentes ao petista; e a conclusão da PF é apenas o encerramento da investigação, sem condenação. Nessa perspectiva, dar como esvaziada a chamada terceira via, representada por nomes como o governador Ronaldo Caiado, antecipa um cenário ainda em aberto.
O que ainda não se sabe: quais pesquisas específicas embasaram a mudança de humor do mercado, qual decisão a PGR tomará sobre o relatório da PF, e como a campanha e os demais pré-candidatos reagirão até outubro. A coluna não cita cargos nem nomes que comporiam um eventual novo governo, e a defesa de Flávio Bolsonaro ainda não se manifestou sobre a conclusão da investigação.