O Republicanos oficializou no sábado, 1º de agosto, no Ginásio do Ibirapuera, na capital paulista, a candidatura do governador Tarcísio de Freitas à reeleição em São Paulo. A chapa mantém Felício Ramuth, do MDB, como candidato a vice-governador, e leva ao Senado o presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado, do PL, e o deputado federal Guilherme Derrite, do PP, ex-secretário de Segurança Pública da gestão estadual. A candidatura é sustentada por uma coligação de doze partidos, entre eles MDB, PL, PSD, União Brasil, PP, Podemos, PSDB, Cidadania, Solidariedade, PRD, Avante e Novo, um dos maiores blocos partidários montados para uma disputa estadual neste ciclo.
O ato reuniu o candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro, o prefeito da capital, Ricardo Nunes, e o presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira. Em seu discurso, o governador agradeceu à esposa, relembrou o tratamento contra o câncer e homenageou o ex-presidente Jair Bolsonaro, que o nomeou ministro da Infraestrutura em 2019. “Nós amamos seu pai, nós amamos Jair Messias Bolsonaro”, disse, dirigindo-se ao senador. Apesar do apoio pessoal declarado do governador ao presidenciável, o Republicanos mantém a tendência de neutralidade na eleição nacional, posição que deve ser referendada em convenção nacional em Brasília.
A cobertura de centro concentrou-se na mecânica do ato e no que ele revela sobre a correlação de forças: o tamanho da coligação, a ausência de dirigentes partidários de peso, entre eles os presidentes nacionais do PL, do PSD, do PP e do União Brasil, a decisão do governador de não comparecer, na semana anterior, à convenção de um partido aliado para evitar vinculação a outro presidenciável, e o calendário legal que se impõe agora, com prazo de convenções até 5 de agosto, registro de candidaturas até 15 de agosto e início oficial da campanha no dia seguinte. Essa cobertura também trouxe avaliações de cientistas políticos identificados, que leem a estratégia como a construção da imagem de gestor técnico, com horizonte na disputa presidencial de 2030.
Os números são o ponto de convergência entre todos os lados. Pesquisa divulgada em 29 de julho aponta 41% das intenções de voto para o governador e 26% para o ex-ministro Fernando Haddad, do PT, confirmado candidato uma semana antes em convenção realizada em Campinas com sete legendas de esquerda e presença do presidente da República. Em cenário de segundo turno, o levantamento indica 48% contra 32%. A aprovação da gestão estadual está em 55%, índice inferior aos 60% registrados um ano antes. São Paulo é o maior colégio eleitoral do país, com 34,1 milhões de eleitores, o equivalente a 21,48% do eleitorado brasileiro.
As divergências aparecem no que cada lado escolhe iluminar. Veículos de direita destacaram o favoritismo e o balanço de gestão apresentado no palanque, com ênfase em habitação, expansão do metrô, obras de infraestrutura, saneamento e indicadores criminais, além da defesa da privatização da companhia estadual de água e do marco do saneamento como solução para falhas históricas de abastecimento. Essa mesma cobertura, no entanto, registrou pontos de desgaste: uma pesquisa de julho mostra a maioria dos paulistas contrária à privatização da companhia de saneamento, consumidores relatam aumento nas contas, uma explosão provocada por vazamento de gás em manutenção da empresa deixou dois mortos e mais de cem residências destruídas em maio, 53% dos paulistanos se dizem contra a concessão das linhas de trem e um curto-circuito causou incêndio em trem de linha concedida três dias antes.
Veículos de esquerda relataram o evento em chave institucional, detalhando a composição da chapa, a coligação e o perfil do candidato, sem incorporar as críticas dirigidas ao governo federal durante os discursos. Do palanque partiram as acusações mais duras: o presidenciável aliado afirmou que o estado é perseguido e boicotado pela União e prometeu facilitar financiamentos ao governo paulista e à prefeitura caso seja eleito, enquanto o governador disse que os avanços do estado ocorreram sem patrocínio federal e criticou o aumento de impostos.