O que decretos de Lula sobre big techs mudam no uso das redes sociais
4 veículos de centro · 1 veículo de direita

Usamos identificadores pseudônimos para operar e melhorar o serviço. Aceitar habilita medições opcionais.Medimos audiência e uso com identificadores pseudônimos, em infraestrutura própria, para operar e melhorar o serviço (legítimo interesse). Aceitar habilita também analytics opcionais de terceiros, mapa de calor e medição de anúncios. Consulte nossa Política de Cookies.
4 veículos de centro · 1 veículo de direita

Dois decretos assinados pelo presidente Lula em maio de 2026 entraram em vigor em 20 de julho e ampliam a responsabilidade das plataformas digitais no Brasil. Um deles altera a regulamentação do Marco Civil da Internet e dá à ANPD competência para regular, fiscalizar e apurar infrações; o outro cria obrigações específicas de proteção a mulheres no ambiente digital. A oposição no Congresso reagiu com pelo menos 32 projetos de decreto legislativo e protocolou pedido de urgência no Senado para tentar sustar os textos.
O ponto central é que obrigações novas para plataformas e cidadãos estão sendo criadas por decreto presidencial, sem passar pelo Congresso, logo depois de o Supremo reinterpretar o Marco Civil da Internet.
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
5 fontes políticas
Veículos com viés à esquerda
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Há convergência de que os decretos entraram em vigor em 20 de julho, que ampliam as obrigações das plataformas e que a ANPD passa a ocupar posição central na fiscalização do ambiente digital. Também é ponto comum que crimes como fraude, terrorismo e exploração sexual de crianças precisam ser combatidos na internet e que o Congresso é o foro natural para legislar sobre o tema.
Dois decretos assinados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em maio de 2026 entraram em vigor na segunda-feira, 20 de julho, e mudam as regras de responsabilização das plataformas digitais no Brasil. Os textos, identificados como decretos 12.975 e 12.976, tiveram prazo de 60 dias para começar a valer e chegam ao fim desse período em meio a uma disputa aberta entre Executivo, Congresso e Judiciário sobre quem define os limites do que circula nas redes sociais.
O primeiro decreto atribui à Agência Nacional de Proteção de Dados, a ANPD, competência para regulamentar, fiscalizar e apurar infrações ao Marco Civil da Internet, e obriga empresas que comercializam anúncios a guardar informações capazes de identificar quem paga por impulsionamentos. As plataformas passam a ter de agir preventivamente contra conteúdos ligados a crimes graves, como terrorismo, exploração sexual de crianças e adolescentes, tráfico de pessoas e violência contra mulheres. O segundo decreto trata da proteção de mulheres no ambiente digital: exige canal permanente de denúncia e determina a retirada de imagens íntimas divulgadas sem consentimento em até duas horas após a notificação, inclusive quando o material tiver sido produzido por inteligência artificial.
A cobertura de centro relatou que a oposição montou no Congresso uma frente com pelo menos 32 projetos de decreto legislativo, 27 na Câmara e cinco no Senado, para sustar os textos. Quatro deles foram apensados e enviados à Comissão de Constituição e Justiça do Senado, onde a tramitação está parada à espera de relator. No mesmo dia em que os decretos passaram a valer, senadores da oposição protocolaram requerimento de urgência para levar a matéria direto ao plenário. Do lado do governo, o secretário de Políticas Digitais afirmou que o Executivo apenas atualiza uma regulamentação que já existia e que o Supremo Tribunal Federal reconheceu o papel do Executivo para regulamentar e fiscalizar essas obrigações.
Veículos de direita enfatizaram o ângulo da liberdade de expressão e da separação de Poderes. Nessa leitura, decreto serve para explicar como uma lei aprovada pelo Congresso será aplicada, não para criar sozinho obrigações que dependem de lei. O argumento central é o do efeito inibidor: diante da ameaça de multa e indenização, e sem critérios objetivos sobre o que é conteúdo ilícito, a plataforma tende a remover primeiro e discutir depois. Também foi apontado que dar à Advocacia-Geral da União o poder de notificar a remoção de publicidade ligada a políticas públicas coloca o governo como parte interessada no que permanece no ar.
Veículos de esquerda não estavam entre os que cobriram o caso até o momento. A leitura mais próxima desse campo apareceu em falas de especialistas ouvidos pela cobertura de centro, para quem os decretos regulamentam uma lei que já existe, o Marco Civil, relido pelo Supremo em 2025, e concretizam um dever de proteção. Nessa avaliação, chamar o conjunto de censura inverte o que os textos fazem, porque o que eles criam são regras de transparência e canais de defesa das vítimas. O governo justificou a atuação da AGU pela escala das fraudes que usam programas como Bolsa Família, o Enem e o concurso público nacional como isca. Outro especialista ponderou que a ANPD se torna, na prática, a principal reguladora de temas digitais no país, e lembrou que seus diretores são indicados pelo presidente da República.
O que ainda não se sabe é o desfecho institucional. Não há definição sobre convocação de sessão extraordinária durante o recesso nem sobre quem relatará os projetos na comissão. Segue em aberto se as plataformas levarão a discussão de volta ao Supremo, quais critérios objetivos a ANPD adotará para caracterizar conteúdo ilícito e como será medido o cumprimento do prazo de duas horas para retirada de conteúdo.
A regra definida pelos ministros do STF pune quem cometeu um crime ou impede que todos falem por medo de punição?

Plataformas passam a ter mais responsabilidade sobre conteúdo a partir desta segunda (20)

Medidas que aumentam a responsabilidade das plataformas digitais entram em vigor nesta segunda (20); especialistas ouvidos pela CNN apontam que a falta de critérios objetivos na responsabilização das plataformas pode levar a medidas preventivas

Decretos passaram a valer nesta segunda-feira (20) sob forte pressão da oposição

Movimento ocorre no mesmo dia em que os atos do Executivo sobre as plataformas digitais começaram a valer
